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A Vez em que Recusei o Jô Soares (e Como Isso Mudou Minha Vida)!

Ilustração caricata e colorida de um jovem mágico brasileiro em cima de uma Kombi quebrada, apontando dramaticamente para o horizonte, com cartas de baralho e brilhos mágicos ao redor. No céu, uma imagem fantasiosa de Jô Soares observa a cena com expressão surpresa.

Você teria coragem de dizer “não” para o maior apresentador da televisão brasileira?
Eu disse. E foi essa decisão que mudou completamente a minha vida.

A origem de tudo: mágica e paixão

Minha história com a mágica começou em 1994. Nos meus primeiros três anos, mergulhei no universo dos shows infantis — pombinhas, coelhinhos, cartola e aquela gritaria de crianças que é a verdadeira escola do mágico.

Até que, um dia, voltando de uma apresentação em Artur Nogueira, cidade da minha família, o motor da minha velha Kombi fundiu em plena Rodovia dos Bandeirantes. Com fumaça pra todo lado, ali, parado no acostamento, tomei uma decisão que mudaria meu rumo: nunca mais faria shows infantis.

Close-up: o foco total

Com o incentivo de um grande mestre da mágica (já falecido), decidi explorar outras vertentes da mágica: feiras, empresas, convenções, mágicas corporativas, grandes ilusões e, principalmente, o close-up — mágica feita bem de perto, cara a cara com o público.

Por três anos, eu me apresentei todas as noites em bares e restaurantes de São Paulo. Durante o dia, trabalhava para a Magicorp, do meu irmão, Célio Amino, levando mágica para grandes empresas.

Foram mil dias vivendo mágica intensamente. Eu estudava, colecionava truques, assistia congressos, lia revistas e vivia num foco absoluto. Eu estava totalmente comprometido. Obcecado. Apaixonado.

David Blaine, o Jô Soares e… a primeira ligação

Em 1998, o lendário mágico David Blaine revolucionou a mágica com seu especial “Street Magic”. Em vez de palcos, foi para as ruas. O Jô Soares, ainda no SBT, ficou fascinado e quis trazê-lo ao Brasil. Mas o cachê era alto demais: 30 mil dólares. A produção decidiu procurar alguém no Brasil que fizesse algo parecido.

Foi aí que me encontraram, graças a uma apresentação minha na Rádio Bandeirantes. A produção entrou em contato e me convidou para participar do Programa do Jô.

Mas eu disse: não.

Como assim, você recusou?

Sim, eu recusei o convite.
Na época, eu não tinha estrutura. Não tinha um figurino ousado. Nem mesmo tinha formado ainda a dupla “Paul & Jack”. Eu sabia que ainda não estava pronto.

Meus amigos ficaram malucos. “Você é doido? Como assim recusar o Jô Soares?”
Mas eu mantive meu posicionamento. Eu tinha apenas 22 anos, mas já sabia exatamente o que queria: entrar na TV quando estivesse 100% preparado.

Foi uma decisão com “D” maiúsculo.
Aliás, vale lembrar: decidir vem do latim decidere, que significa cortar fora todas as outras possibilidades. Quando você decide, não há espaço pra dúvida.

Um ano depois… a reviravolta

Exatos 365 dias depois, eu estava trabalhando na Rede Globo, dentro da CPAT (segurança do trabalho), entrando nos bastidores de vários programas como mágico.

Foi aí que a mágica aconteceu — literalmente.
Fui parar nos bastidores do Programa do Jô, agora na Globo. Ele estava sentado com sua equipe numa sala grande. Comecei a me apresentar ali mesmo, com mágicas como carta na garrafa, floating cigarette, mystery box, e outras.

No meio da minha terceira mágica, ouço o Jô dizendo:

“Vamos gravar uma quarta entrevista hoje. Coloca ele no programa de sexta. Quero ele na primeira entrevista!”

Continuei me apresentando como se nada tivesse acontecido, com faca no braço, carta na laranja, tudo. No final, o Jô se levanta e diz:

“Você é o P que recusou o meu programa.”

Ele se lembrava. Ele sabia quem eu era.

A mágica da decisão

Gravei o programa naquele mesmo dia. Saí de casa achando que faria um trabalho interno, e voltei tendo gravado um dos momentos mais importantes da minha carreira. Foram 23 minutos de entrevista, mostrando as mágicas que eu tanto amava — minhas “filhas assassinas”.

No final, o Jô ainda disse:

“Quando tiver mágica nova, você volta.”

Essa decisão que parecia arriscada lá atrás… se revelou um divisor de águas.

A lição por trás dessa história

Você não precisa aceitar tudo só porque parece uma “grande oportunidade”.
Dizer “não” pode ser um ato de coragem, posicionamento e respeito por si mesmo.
Quando você se valoriza, o mundo percebe.

O segredo?

  • Saiba o que você quer.
  • Prepare-se com tudo que tiver.
  • E nunca tenha medo de se posicionar — mesmo diante de gigantes.

Se essa história te inspirou, compartilha com alguém que esteja em dúvida sobre uma decisão importante. Às vezes, o “não” de hoje é o que abre caminho para o “sim” que vai mudar sua vida amanhã.

Com mágica,
Paul – Colecionador de Segredos

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