cropped-logo-PJ2.png

Quando o trabalho vira seu sobrenome, qualquer crise profissional parece uma crise de identidade

Paul em destaque na capa do artigo “Quando o trabalho vira seu sobrenome, qualquer crise profissional parece uma crise de identidade”, em composição editorial preta, vermelha e branca.

Existe uma pergunta aparentemente inocente que fazemos o tempo inteiro quando conhecemos alguém: “O que você faz?”

A resposta costuma vir quase automática. Sou vendedor. Sou empresário. Sou professor. Sou artista. Sou palestrante. Depois de muitos anos, a profissão deixa de ser apenas uma informação sobre a nossa rotina e começa a fazer parte da maneira como nos apresentamos ao mundo. Isso é natural. Uma carreira longa carrega histórias, relações, conhecimento, conquistas, erros e uma quantidade enorme de vida investida ali.

O problema aparece quando a resposta para “o que você faz?” começa a ocupar quase todo o espaço da resposta para “quem é você?”.

Nesse ponto, uma dificuldade profissional deixa de ser apenas uma dificuldade profissional. Um projeto que fracassa parece dizer alguma coisa sobre o seu valor. Uma fase de baixa mexe com a confiança de um jeito muito maior. Uma mudança de função pode ser sentida como perda de identidade. E, quando aquilo que durante anos ajudou você a se reconhecer muda ou desaparece, surge uma sensação difícil de explicar: parece que alguma parte de você foi embora junto.

Isso não é apenas impressão. Pesquisas sobre identidade no trabalho mostram que a atividade profissional pode ter um peso importante na forma como as pessoas se definem. Estudos com pessoas desempregadas, por exemplo, identificam que a perda do trabalho pode ameaçar essa identidade e tornar mais difícil imaginar e experimentar novas versões profissionais de si mesmas.

O ponto central

Construir uma identidade profissional forte pode abrir portas, gerar reconhecimento e dar sentido a uma trajetória. O cuidado começa quando tudo aquilo que você pensa sobre si mesmo passa a depender do cargo, da empresa, do resultado ou da fase profissional que está vivendo.

Ser reconhecido pelo que você faz é ótimo. O problema aparece quando você só consegue se reconhecer por isso

Eu acredito muito no valor de construir uma identidade profissional. Tanto que já falamos aqui sobre como ser lembrado pelos clientes e sobre a construção de uma marca pessoal forte. Num mercado cheio de gente competente, ter assinatura, reputação e uma maneira própria de fazer as coisas conta bastante.

Mas marca pessoal e identidade pessoal não são a mesma coisa.

A marca profissional é a imagem que se forma em torno do seu trabalho. Quem você é não cabe nisso. Existem relações, valores, escolhas, curiosidades, lembranças, família, amizades, interesses e uma vida inteira que jamais entrará numa descrição profissional.

Quando essas duas dimensões começam a se misturar demais, a carreira ganha um poder enorme sobre a autoestima. O reconhecimento profissional deixa você lá em cima, enquanto uma fase ruim parece colocar em dúvida tudo que foi construído. Aos poucos, o resultado do trabalho passa a funcionar quase como a nota que você dá para si mesmo.

É aí que a relação começa a ficar pesada.

Quando o trabalho dá errado, parece que você deu errado junto

Uma crise profissional pode nascer de dezenas de lugares. O mercado muda, um negócio perde força, um projeto importante não funciona, uma pessoa deixa um cargo que ocupou durante muito tempo ou percebe que já não tem o mesmo espaço que teve em outra fase da carreira.

Há consequências financeiras e práticas óbvias, mas existe uma camada menos visível. A pessoa também precisa descobrir quem continua sendo quando aquele papel profissional muda.

Um estudo realizado com pessoas desempregadas na Alemanha encontrou exatamente esse tipo de dificuldade. Os pesquisadores observaram obstáculos para imaginar e experimentar novas identidades profissionais, entre eles a falta de segurança psicológica, poucas oportunidades para testar novos caminhos e ausência de validação social para essas novas possibilidades.

Em outro trabalho, pesquisadores entrevistaram pessoas que atravessaram longos períodos de desemprego durante a crise econômica grega. O que apareceu não foi apenas uma busca por outra vaga. Os participantes tentavam reconstruir, por meio das próprias histórias, quem tinham sido profissionalmente, quem eram naquele momento e quem ainda poderiam se tornar.

Isso ajuda a entender por que dizer “é só um emprego” pode soar tão vazio para quem acaba de perder um trabalho que ocupou parte importante da própria vida.

Para muita gente, nunca foi só emprego. Ali existiam rotina, relações, reconhecimento, autonomia, pertencimento e história.

Sua carreira pode mudar antes de sua identidade conseguir acompanhar

Existe também uma situação estranha em que a mudança já aconteceu por fora, mas ainda não aconteceu por dentro.

A pessoa mudou de função, porém continua medindo o próprio valor pelos critérios da função anterior. O empresário deveria ocupar outro papel dentro do negócio, mas ainda sente necessidade de provar que é o melhor executor. O profissional experiente entrou numa etapa diferente da carreira, mas tenta preservar exatamente a mesma imagem que construiu vinte anos atrás.

A vida foi para um lugar e a identidade profissional ficou alguns quilômetros atrás.

Uma pesquisa com profissionais acima de 50 anos procurando trabalho identificou diferentes maneiras de lidar com esse encontro entre passado, presente e futuro. Alguns se apoiavam fortemente no que haviam sido, enquanto outros buscavam se renovar ou ajustar gradualmente a maneira como se enxergavam profissionalmente.

Gosto dessa ideia porque ela mostra que uma transição profissional não acontece apenas no currículo. Existe uma transição interna também, e essa costuma levar mais tempo.

É possível já estar vivendo uma nova fase e continuar emocionalmente tentando proteger a anterior.

Experiência deveria dar liberdade para mudar, não obrigação de permanecer igual

Quanto mais longa a carreira, mais coisas vão sendo construídas ao redor dela. Existe conhecimento, reputação, relacionamento e uma maneira de trabalhar que foi sendo refinada aos poucos.

Isso tem um valor enorme.

O problema começa quando toda essa experiência passa a ser usada como argumento para nunca mais mudar.

“Eu sempre fui isso.”

“Todo mundo me conhece assim.”

“Depois de tantos anos, vou fazer outra coisa para quê?”

Dependendo do contexto, essas frases podem falar menos sobre convicção e mais sobre medo de perder uma identidade que levou décadas para ser construída.

Só que mudar não apaga o que veio antes.

Uma pessoa pode deixar de exercer determinada função e continuar carregando a capacidade de análise, as relações que construiu, o repertório, os erros que já cometeu e tudo aquilo que aprendeu enquanto esteve ali. A experiência não desaparece porque a forma de usá-la mudou.

Uma carreira longa não precisa parecer uma estrada reta para ter coerência.

Ter outras partes da vida não diminui sua ambição

Há também uma pressão curiosa para transformar quase tudo em desempenho.

Se alguém começa a correr, logo surge a ideia da maratona. Se cozinha bem, alguém pergunta quando abrirá um negócio. Se fotografa por prazer, aparece a sugestão de monetizar. Parece que qualquer interesse só ganha importância depois que produz dinheiro, reconhecimento ou alguma informação nova para acrescentar ao currículo.

Talvez seja saudável manter interesses que não precisem virar desempenho, dinheiro ou carreira. Você pode fazer alguma coisa apenas porque gosta, mesmo sem ser excelente, sem receber reconhecimento e sem transformar aquilo em mais uma extensão da sua identidade profissional.

Isso não significa diminuir a importância da carreira. Significa apenas não obrigá-la a carregar sozinha toda a responsabilidade de dar sentido à vida.

A pesquisa sobre identidade durante o desemprego traz um dado interessante nesse sentido. Entre pessoas que enfrentavam dificuldades para reconstruir uma identidade profissional, algumas passaram a dar maior importância a identidades ligadas a outros papéis da vida, como família e relações pessoais.

Talvez seja justamente aí que exista alguma proteção emocional. Perder um papel profissional pode doer bastante, mas não precisa apagar todas as outras respostas possíveis para a pergunta “quem sou eu?”.

Você pode deixar uma função sem deixar de ser você

Carreiras são feitas de fases, embora muitas vezes a gente só perceba isso olhando para trás.

Durante um período, fazer determinada coisa pode ter sido exatamente o que você precisava. Mais tarde, o trabalho muda. Talvez você passe a ensinar mais do que executar, escolher mais do que aceitar ou orientar mais do que fazer pessoalmente.

Quando a identidade continua presa à versão anterior, essa passagem pode parecer perda.

Mas abandonar um papel não significa abandonar o próprio valor.

Pesquisas sobre empregabilidade ajudam a enxergar essa questão por outro ângulo. Um estudo com desempregados australianos trabalhou a empregabilidade como combinação de adaptabilidade, identidade de carreira e capital humano e social, reforçando que atravessar mudanças profissionais também depende da capacidade de reorganizar aquilo que a pessoa já possui.

Por isso gosto da ideia de recomeço muito mais como continuidade do que como apagamento. No artigo Recomeço profissional: o que sua segunda-feira revela sobre você, já existe essa conversa sobre perceber quando alguma coisa precisa mudar na relação com o trabalho.

Uma fase nova pode carregar muito da anterior. O que mudou foi o lugar que essas experiências passaram a ocupar.

Uma identidade profissional forte precisa sobreviver ao movimento

Aqui existe uma ironia interessante.

Durante boa parte da carreira, fazemos um grande esforço para construir uma identidade clara. Queremos que as pessoas saibam quem somos, reconheçam nosso trabalho e associem nosso nome a determinada competência. Isso faz parte do posicionamento profissional e da construção de reputação. O próprio conteúdo do Paul & Jack sobre marca pessoal caminha nessa direção.

Só que uma identidade profissional madura também precisa ter elasticidade.

Precisa conseguir incorporar uma habilidade nova, uma mudança de mercado, outra função e até uma fase em que aquele reconhecimento antigo já não ocupa o centro da vida profissional.

Identidade forte não precisa significar identidade parada.

Talvez uma demonstração muito maior de segurança seja conseguir mudar aquilo que você faz sem sentir que deixou de saber quem é.

Quem é você quando ninguém pergunta o que você faz?

Essa pergunta parece filosófica até a carreira balançar. Quando isso acontece, ela fica bastante concreta.

Quem é você quando um projeto não funciona? Quando outra pessoa ocupa a função que um dia foi sua? Quando chega uma fase em que o reconhecimento diminui ou quando a carreira toma uma direção que você não havia previsto?

Não acredito que a resposta exija diminuir a importância do trabalho. Uma profissão pode trazer orgulho, independência, significado e a sensação legítima de estar construindo alguma coisa. Para muita gente, é uma das grandes histórias da vida.

Só não precisa ser a história inteira.

Uma empresa pode mudar. Um cargo termina. Uma profissão pode ganhar outro formato. Um momento de enorme visibilidade pode dar lugar a uma fase mais silenciosa. Nada disso apaga automaticamente aquilo que você construiu.

Talvez uma das conquistas mais bonitas de uma carreira longa seja conseguir olhar para tudo isso com orgulho e, ao mesmo tempo, perceber que você sempre foi maior do que o seu crachá.

Carreira também é transformação

Sua equipe consegue enxergar o próprio potencial além do cargo que ocupa hoje?

A palestra motivacional Paul & Jack trabalha comportamento, objetivos, carreira e automotivação por meio de conteúdo, humor, mágica e participação do público, criando uma experiência que provoca novas perspectivas sobre trabalho e desenvolvimento profissional.


Conheça a palestra motivacional Paul & Jack

Carreira também é transformação

Sua equipe consegue enxergar o próprio potencial além do cargo que ocupa hoje?

A palestra motivacional Paul & Jack trabalha comportamento, objetivos, carreira e automotivação por meio de conteúdo, humor, mágica e participação do público, criando uma experiência que provoca novas perspectivas sobre trabalho e desenvolvimento profissional.


Conheça a palestra motivacional Paul & Jack

E antes de partir, sempre bom lembrar que ofereço diversos tipos de palestras, como:

Perguntas frequentes

O que é identidade profissional?

Identidade profissional é a maneira como a pessoa se reconhece em relação ao trabalho, à carreira, às competências que desenvolveu e aos grupos profissionais dos quais faz parte. Ela pode ser uma fonte importante de pertencimento e significado, mas também sofre mudanças conforme a trajetória avança.

É ruim ter uma identidade muito ligada à profissão?

Não necessariamente. É natural sentir orgulho do trabalho e construir parte importante da vida em torno dele. O sinal de atenção aparece quando praticamente todo o valor pessoal passa a depender de desempenho, cargo ou reconhecimento profissional.

Por que perder um emprego pode mexer tanto com a identidade?

Porque o trabalho pode representar muito mais do que renda. Ele também organiza rotina, relações, pertencimento e a maneira como algumas pessoas se definem. Estudos sobre desemprego mostram que essa ruptura pode ameaçar a identidade profissional e exigir uma reconstrução da forma como a pessoa se percebe.

É possível mudar de profissão depois de muitos anos?

Sim. Uma mudança profissional não apaga experiência, repertório e relações acumuladas. Estudos sobre empregabilidade colocam justamente adaptabilidade, identidade de carreira e capital humano e social entre os recursos importantes para atravessar transições.

Como separar identidade pessoal e identidade profissional?

Não é necessário criar uma divisão artificial, porque o trabalho realmente faz parte da vida. O ponto é lembrar que outras dimensões também constroem quem você é. Relações, valores, interesses, experiências e papéis fora do ambiente profissional continuam existindo independentemente do cargo.

Como lidar com uma mudança profissional que mexe com minha identidade?

Vale reconhecer o que aquela mudança representa, em vez de tratá-la apenas como alteração de função. Também ajuda identificar o que continua existindo em você, quais competências atravessam essa transição e quais novas possibilidades começam a fazer sentido. Pesquisas com trabalhadores em transição mostram que reconstruir a identidade profissional costuma envolver simultaneamente passado, presente e futuro.

Te convido agora da dar o play no vídeo abaixo, é uma matéria do SBT sobre o impacto das minhas palestras.
Depois disso, é só me chamar.

Gostou do conteúdo? Imagina o quanto você irá amar a Palestra os 10 Segredos do Vendedor Mágico!

Paul Friedericks é mágico, palestrante e especialista em vendas com impacto emocional. Já ministrou palestras e treinamentos para equipes comerciais em todo o Brasil, levando às empresas uma abordagem prática, provocadora e centrada em alta performance com leveza e verdade.

🎁 PRESENTE ESPECIAL Como forma de agradecimento por ter lido até aqui, você ganhou meu curso de mágica com 20 truques inéditos para impressionar amigos, clientes e família! 👉 https://paulejack.com/presente/

Referências

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe

Facebook
Twitter
LinkedIn

Postagens Relacionadas

×