Concorrência faz parte de qualquer venda. Em algum momento, o cliente vai comparar preço, prazo, atendimento, produto, reputação ou qualquer outro critério que faça sentido para ele. E está tudo certo. O problema começa quando o vendedor ouve o nome de outra empresa e imediatamente muda de postura, como se precisasse se defender de alguma ameaça.
Eu já vi esse filme algumas vezes. O cliente comenta que recebeu outra proposta e, de repente, a conversa que deveria ser sobre necessidade, valor e solução vira uma longa análise sobre tudo o que o concorrente supostamente faz errado. O vendedor começa a lembrar de histórias, reclamações, promessas não cumpridas, defeitos de produto e qualquer argumento que ajude a diminuir o outro lado.
Talvez parte dessas críticas seja verdadeira. Ainda assim, eu tomaria cuidado.
Quando você passa tempo demais falando mal da concorrência, o cliente pode começar a perceber menos os problemas do outro e mais a sua necessidade de atacá-lo. E isso não costuma transmitir segurança. Muitas vezes transmite exatamente o contrário.
O ponto central
Se eu preciso diminuir o concorrente para parecer uma boa escolha, talvez ainda não tenha aprendido a mostrar com clareza por que o meu trabalho merece ser escolhido.
Seu concorrente não deveria ocupar metade da sua apresentação
Eu sou mágico. Imagine se eu entrasse no palco e passasse dez minutos explicando por que outro mágico não é tão bom quanto eu. Seria estranho. A plateia não comprou ingresso para ouvir minha opinião sobre o trabalho de outra pessoa. Ela quer ver o que eu sei fazer.
Em vendas, penso de maneira parecida. Conhecer a concorrência é importante e você precisa entender o mercado, saber onde existem diferenças e estar preparado quando o cliente fizer uma comparação.
Isso é profissionalismo. O problema é transformar o concorrente no protagonista da sua própria apresentação.
Se metade da conversa é sobre o outro, alguma coisa está fora do lugar. No fim das contas, o cliente quer entender por que a sua solução faz sentido para ele. Essa deveria continuar sendo a conversa principal.
No Paul & Jack, já falamos sobre superar concorrentes por meio da experiência, do atendimento e da percepção de valor. Essa lógica continua válida aqui: a maneira mais forte de competir ainda é fazer o cliente perceber por que escolher você é uma boa decisão.
Comparar é diferente de atacar
Existe diferença entre explicar uma vantagem e tentar destruir a imagem de outra empresa.
Se o cliente disser que o concorrente entrega mais rápido, você pode explicar seu prazo. Se perguntar sobre preço, pode mostrar o que está incluído na sua proposta. Se mencionar uma funcionalidade que o outro possui, você pode contextualizar onde sua solução é diferente.
Isso ajuda a pessoa a decidir.
Agora, dizer que o produto do concorrente é ruim, que a empresa não presta ou que “todo mundo sabe como eles trabalham” muda completamente o tom da conversa. Além de soar pouco elegante, esse tipo de ataque faz o vendedor parecer mais preocupado em ganhar a disputa do que em ajudar o cliente a escolher.
Eu prefiro outra postura: conheça bem o que o outro oferece, mas conheça ainda melhor aquilo que você entrega. Quanto mais clareza você tiver sobre seu próprio valor, menos necessidade terá de transformar alguém em vilão.
O cliente percebe quando a crítica parece medo
Esse ponto é interessante porque existe até pesquisa em psicologia social que ajuda a entender por que falar mal de alguém pode provocar um efeito inesperado. Estudos sobre o que os pesquisadores chamam de “transferência espontânea de traços” mostram que, em determinadas situações, características que alguém atribui a terceiros podem acabar sendo associadas também a quem faz o comentário.
Eu não transformaria isso numa regra automática de vendas, porque cada conversa tem seu contexto. Mas a ideia serve como alerta: a imagem negativa que você tenta construir do concorrente pode acabar contaminando a percepção sobre você também.
Em linguagem de vendedor, eu resumiria assim: cuidado com a lama que você joga, porque parte dela pode ficar na sua mão.
Quando a crítica é exagerada, carregada de emoção ou claramente defensiva, o cliente percebe. E pode começar a pensar não apenas no concorrente, mas no motivo de ele incomodar tanto você.
Admitir que o concorrente faz algo bem não diminui você
Essa talvez seja uma das provas mais claras de segurança comercial.
O cliente pergunta se determinada empresa é boa e você responde: “Sim, nesse ponto eles fazem um bom trabalho.”
Pronto. O mundo não acabou.
Você não entregou a venda. Não diminuiu sua empresa. Não admitiu derrota.
Apenas mostrou que consegue olhar para o mercado sem precisar fingir que todo mundo é incompetente, menos você.
Depois disso, você pode continuar: “Agora, para aquilo que você me explicou, acredito que nossa proposta tem algumas vantagens importantes por estes motivos…”
Isso muda completamente a qualidade da conversa. Em vez de parecer alguém tentando proteger território, você passa a parecer alguém capaz de analisar opções com maturidade.
Hoje isso é ainda mais relevante porque o cliente costuma chegar muito mais informado. Ele pesquisou, comparou, leu avaliações e provavelmente já conhece alguns dos nomes que você gostaria de fingir que não existem. Se você disser que uma empresa reconhecida não tem qualidade nenhuma, corre o risco de perder credibilidade diante de alguém que já formou uma opinião diferente.
Venda seu valor, não o defeito do outro
No fundo, essa é a conversa que interessa.
Quando o cliente menciona a concorrência, eu não tentaria responder primeiro à pergunta “como provo que eles são ruins?”. Tentaria descobrir por que aquela comparação apareceu e o que está por trás dela.
Talvez seja preço. Talvez prazo. Talvez segurança. Talvez reputação. Talvez alguma característica específica.
Quando você identifica o critério, consegue voltar para aquilo que realmente importa: o cliente e a decisão que ele precisa tomar.
A venda melhora quando a conversa volta para necessidade, valor, experiência, entrega, confiança e resultado. É nesses pontos que um vendedor competente consegue fazer diferença de verdade.
E existe uma coisa que sempre me chama a atenção: quando alguém passa cinco minutos falando mal da concorrência, geralmente acredita que acabou de enfraquecer o outro. Só que o cliente também pode sair daquela conversa pensando: “Nossa, essa empresa incomoda bastante esse vendedor.”
Eu prefiro deixar outra impressão.
A de que conheço o que vendo, conheço o mercado e não precisei diminuir ninguém para mostrar por que minha solução merece ser considerada.
Venda seu valor
Sua equipe sabe competir sem transformar o concorrente no protagonista da venda?
Em Os 10 Segredos do Vendedor Mágico, Paul & Jack trabalham percepção de valor, comportamento, apresentação, confiança, relacionamento e performance comercial com conteúdo, humor, mágica e experiência de palco.
Além de palestras de vendas, ofereço diversos outros tipos de palestras, como:
Perguntas frequentes
Como lidar com a concorrência em vendas?
Conheça bem quem disputa o mesmo mercado, mas não deixe a conversa girar em torno deles. Quando o cliente fizer uma comparação, descubra qual critério está por trás dela e explique com clareza onde sua solução se diferencia.
Posso comparar meu produto com o concorrente?
Pode, desde que a comparação seja objetiva e útil para a decisão. Preço, prazo, suporte, características, modelo de atendimento e formato de entrega podem ser comparados sem que seja necessário atacar ninguém.
Falar mal do concorrente pode prejudicar a venda?
Pode. Além de tirar o foco da sua proposta, o excesso de críticas pode transmitir insegurança ou fazer o cliente perceber que você está mais preocupado com a concorrência do que com a necessidade dele.
O que fazer quando o cliente diz que o concorrente é melhor?
Pergunte em que aspecto. Essa resposta costuma revelar o verdadeiro critério de decisão. A partir daí, você consegue mostrar sua proposta com muito mais precisão.
Devo admitir que um concorrente é bom?
Se for verdade, não vejo problema algum. Reconhecer uma qualidade do outro e depois explicar suas próprias diferenças pode transmitir muito mais confiança do que fingir que ninguém mais no mercado sabe trabalhar.





























